Tento não me esquecer:

    Este blog me ajuda a não esquecer que a pior inimiga da verdade é a convicção e que amar não significa apoiar-se.
    Nós não resolvemos problemas filosóficos. Nós os superamos. Nosso parto é sobre o túmulo, a luz dura um instante e volta a noite.
    Existe alegria. Às vezes é só ouvir, minhas filhas descobrindo o mundo. Mas no fim, o mundo é mais pobre do que eu imaginei.

03/05/2003

Cinema (II)

Há poucos filmes essenciais. Ainda assim, entre estes, raros são tão transbordantes de poesia quanto A dupla vida de Veronique.
Dizer que tem uma história intrigante é chover no molhado, muitos filmes são boas histórias. Isto não explica.
(não é um triller erótico sobre uma mulher com uma vida dupla, como me perguntou um amigo animado a ir na locadora mais próxima, mas sim duas mulheres identicas, vivendo em lugares diferentes uma vida muitissimo parecida)

A forma narrativa é diferente dos filmes comerciais americanos? Almodovar também é.
A mocinha do filme tem uns peitos bonitos? Minha vizinha também.
A trilha sonora é boa? Sim, linda, mas isto tornaria todos os filmes com música do Bernard Hermann obras primas: podia ser o Spilberg a dirigir.

O que de cara chama atenção é que fala-se pouco, ninguém precisa nos narrar o que acontece.
Ele é sutil. Profundo. Mesmo cru, não consegue deixar de inundar-nos de esperança..
Mas não se equivoque. Antes de tentar enquadrá-lo aqui ou ali é preciso sentir, por que Kieslowski é como Nietzsche, só se compreende vivendo, só se compreende quando percebemos: sensibilidade é o seu pathos.

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