Tento não me esquecer:

    Este blog me ajuda a não esquecer que a pior inimiga da verdade é a convicção e que amar não significa apoiar-se.
    Nós não resolvemos problemas filosóficos. Nós os superamos. Nosso parto é sobre o túmulo, a luz dura um instante e volta a noite.
    Existe alegria. Às vezes é só ouvir, minhas filhas descobrindo o mundo. Mas no fim, o mundo é mais pobre do que eu imaginei.
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21/08/2015

Cenas de filmes (I)




# 2001 Uma odisseia no espaço.
- O personagem principal correndo na cabine em círculos, ao lado dos astronautas congelados.
- A cena em que o nosso avô aprende a usar o osso como arma.
- Quando jogam o osso pra cima e toca o Danúbio azul.
- A viagem com o LSD (não, obrigado, eu sou babaca) .
- A conversa entre o HAL e o chefe da missão, logo após o robô ter matado o outro astronauta.

# A liberdade é azul
- Quando a Juliete Binoche fica sabendo que o marido e filha morreram.
- Ela colocando o dedo no papel com uma câmera bem próxima e a musica tocando na nota que aparece.
- Ela com a mãe.
- Quando ela chama na casa dela a amante do marido e lhe oferece a casa.
- Quando ela esta caminhando sofrendo muito e raspa a mão na parede.

# A dupla vida de Veronique
- A Irene Jacob derruba os papeis e as pessoas passam, depois ela olha pro ônibus.
- O teatro de bonecos.
- A cena inicial que lembra um conto lindo do Hesse - Íris.
- Ela brincando com uma bolinha transparente no trem e olhando as coisas através dela.
- Quando ela esta cantando no teatro antes de desmaiar.
- A cena em que ela diz para o pai: senti hoje como se não estivesse sozinha.
- A cena em que ela joga a bolinha no teto e cai poeira, ela fecha os olhos.

# Não amarás
- O Tomek correndo com o carrinho de leite e girando depois de conseguir convidar a moça que amava pra ir tomar sorvete.
- A cena em que ela diz, isto tudo é o amor.
- Quando ela pergunta, você quer transar comigo, viajar comigo, me beijar... E ele diz Nietzsche (=0).

# Laranja Mecânica
- A cena em que ele transa com as duas ao mesmo tempo na casa dos pais
- A cena com o carro
- A cena em que ele está violentando a mulher espancando o senhor e cantarolando uma música.

# Em busca do Ouro
- Cena em que o Chaplin fica observando a todos de dentro do bar mesmo e toca no fundo uma música lindíssima.
- Quando ele faz a dança da batata espetada com garfos.
- Ele e o gordão correndo um atrás do outro na cabana.
- Ele fazendo o cadarço de macarrão.

#Morangos Silvestres
- Ele relembrando do jardim.
- A cena antológica com o caixão.

# Ran - kurosawa
- A cena em que o bobo e o rei estão estendidos no chão, numa explosão de cores!
- A cena da batalha em que os exércitos estão todos alinhados

# Cinema paradiso
- Cena dos beijos no final

# Um estranho no ninho
- Cena em que o Jack Nicholson volta do eletrochoque e finge-se de louco.
- A cena em que descobre-se que o índio, afinal, não era mudo.

13/05/2013

Educação Sentimental

Minha educação sentimental passa por Carl Sagan e Tchekhov (se estou, sem querer estar, na mais absoluta solidão, recorro a eles).
Conto com ambos na minha pequena lista de amigos. Mais novo, contei com Hermann Hesse e Fernando Pessoa. Se estou pessimista, Becket. Melancólico demais, Wordsworth.
Agora artistas, que sempre me surpreendem (sempre estão além de tudo que eu possa imaginar): Nietzsche e Shakespeare. Inesgotáveis e profundos, como as músicas de Bach e Mozart.
No cinema: penso na poesia e força de Fellini, Kubrick e Kurosawa. Kieslowski é moralista demais. Quando esquece do manual do coroinha, melhora.
Mas nada disto salva.

10/04/2002

Cinema (I)

Falemos de filmes. Assisti um daqueles que ainda viram cult de modeletes profundas. Inicio da carreira bem planejada do Tom Hanks, Joe contra o vulcão, é um filme levemente pretensioso, mas correto no geral. É interessante, para os que querem se sentir menos idiotas do que na verdade são, escutar a Loira Ryan dizer: "a maior parte das pessoas esta dormindo. Alguns poucos estão acordados e ficam maravilhados ao olhar ao redor. São os que estão realmente vivos." Como disse, vale a pena assistir, pra sessão da tarde.
Bem, um dia o Steven Spilberg resolveu esquecer do bla-blá-blá pra Judeu ver, das histórias sobre racismo (seus melhores filmes sem dúvida) e dos contos para pirralhos. Não conseguiu. Começou bem, no meio parecia o ET e no final quando parecia que ia ter uns lapsos de genialidade, ficou no lugar comum. Se eu esquecesse da música ruim, do cara narrando e do excesso de cenas redundantes explicativas (seria outro filme portanto) podia pensar que ele afinal teria lido o roteiro do Kubrick. No final. Este final que seria tachado de pessimista por muitos. O homem só esta feliz com a mãe e procurará uma relação assim para o resto da vida. A mulher só é completa pelo filho. Mas assim é. O homem é infantilóide. A mulher obtusa e instintiva demais para entender qualquer coisa. Assim falou Zaratustra. E tudo no final termina como Shakespeare disse: a vida termina com um sono.
A mensagem que o filme passa não é desanimadora: clamem pela vida. Clamem só por que estamos aqui. Assim falou Zaratustra. É o nosso destino. Tudo apenas memórias. Tudo é só isto. É o final do conto Íris, um dos melhores do Hesse, o espírito livre, leitor de Nietzsche. O título da coletânia de contos onde Íris aparece é MARKHEIN, Fábulas. Coincidência ou não, Joseph Campbell o mitólogo sério que consegue até vender Best Sellers, estava lá em um dos seus maiores insights quando o pinóquio-robô explica que procurava não ao gepeto, tocar seu criador, não o sentido da vida, mas sentir o enlevo, que é estar vivo, se reconhecer vivo e pleno: "Me faça de verdade. Me faça de verdade!" Foi uma tentativa fraca do Spilberg de fazer uma fábula moderna, de um mundo sem Deus.
Só um aposto. Deus não existir só aumenta a maravilha das coisas. A dificuldade esta em quebrar o modelo dos nossos avós. Mudança é difícil. Haverá um dia em que será difícil acreditar, que já levaram a sério a existência do espírito e Deus; que se rezasse pro infinito.
Vou te falar o que sei as mulheres. Um dia eu conheci alguém que tinha uma sensibilidade para compreender situações, uma alegria interior e uns olhos negros lindos como nunca vi iguais. A expressão de doçura e de serenidade permeava o seu rosto e a deixava tão linda... Não foram precisos mais do que seis meses para que as minhas indagações e os meus questionamentos a entediassem. Se aborrecia por que eu citava Voltaire quando ela insistia pra que eu fosse na missa. Se acredita. Pelo menos se o padre soubesse falar... Podia ser só português mesmo... Eu era estúpido o suficiente pra não ser machista, demonstrar insegurança e fazer o que ela queria. No final nem discordava mais. Aceitava tudo em nome do amor. Mas eu aprendo... Ah estas mulheres... Sempre procurando o seu orangotango-estufa-peito. Seu macho forte. Mas elas encontram. Este negócio de adolescente que quer mudar o mundo não ta mais se sustentando na minha cabeça não. Tem quem não queira sair da redoma. Fica feliz assim. (rezar serve para a boa higiene mental, mas meditar também serve e não nos deixa tão passíveis de idiotice).