Em um grupo de filosofia, recebemos um e-mail com triste começo... Como se fosse um oráculo, alguém desesperado perguntava: qual o sentido da vida. Respondi meio (totalmente) sem jeito que não encontrava resposta pra estas questões e que não conhecia até o momento aquele que teve boa sorte na empreitada. Pra tentar viver o caminho enquanto não encontrasse e que assim tudo já se resolveria.
Me mandou de volta um e-mail grosseiro faltou evocar satanás pela minha falta de humanidade. Que não era sincero ao responder... Agora, sejamos sinceros... A pergunta é absurda. Não existe sentido da vida (qualquer vida humana, pensando-se em sentido como objetivo a ser alcançado, como ato a ser realizado) e todos, no fundo, sabem disto. A questão seria talvez: qual o propósito para a MINHA vida, e isto apenas EU posso responder. Ah bendito Individualismo! Sagrado Joyce e Santissimo Nietzsche. Há quem diga que é o amor, ou a família, outros ainda a realização ou o crescimento pessoal. Eu não penso que seja assim. Isto é pura balela (mesmo que na prática eu tente agir como se pudessemos viver de uma forma mais altruísta, não acho que seja possível). Ah! Criaturinhas egoístas e patéticas somos nós! O nosso propósito é satisfazermos nossas necessidades imediatas (carinho, afeto, sexuais, alimentação perdurar...). Toda uma sorte de padrões de comportamento e idéias (mesmo as mais sutis elocubrações do "espírito") foi construída para que tal fato se realize.
Pensando então no sentido como direção, o sentido da vida é a morte. Samuel Becket diz lindamente: "a luz brilha um instante e então vem a noite". Seja feliz. Será possível que sem querer torne os outros felizes também.
Agora para quê o Homem nasce? Para contentar pai e mãe que, depois de se sentirem sós e sofrerem bastante no mundo, resolvem egoísticamente colocar um ser para lhes proporcionar algum alívio. Nenhuma certeza de pra que ele nasce mas se nove meses antes alguém não gozou no buraco quente o cara nasceu de proveta ou é filho de soldado.
Antes que me perguntem se quero ter filhos já adianto... COM CERTEZA!!
Pra que não digam que eu não me esponho no blogger...
E tudo passa. Houve um dia no inicio dos tempos onde eu acreditava que Ranelluccio, Toro Rias e outros eram meus amigos; roubado, enganado, traido; isto passou. Solon, não o grego, um brasileiro mesmo, o principal picareta morreu. Pelo menos é o que dizem. E eu tento esquecer tudo.
Quem tem Deus não precisa dos outros; quem aprendeu a ver flores, não precisa inventar Deus.
Diga o que sente; não o que acha que deveria dizer.
Tento não me esquecer:
Este blog me ajuda a não esquecer que a pior inimiga da verdade é a convicção e que amar não significa apoiar-se.
Nós não resolvemos problemas filosóficos. Nós os superamos. Nosso parto é sobre o túmulo, a luz dura um instante e volta a noite.
Existe alegria. Às vezes é só ouvir, minhas filhas descobrindo o mundo. Mas no fim, o mundo é mais pobre do que eu imaginei.
Nós não resolvemos problemas filosóficos. Nós os superamos. Nosso parto é sobre o túmulo, a luz dura um instante e volta a noite.
Existe alegria. Às vezes é só ouvir, minhas filhas descobrindo o mundo. Mas no fim, o mundo é mais pobre do que eu imaginei.
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09/02/2008
08/09/2002
James Joyce
Deus: “Vovôninguém”, “colecionador de prepúcios”; a igreja: uma “italiana”, "uma mastigadora de cadáveres”; as mulheres: “repasto da serpente”; o exército: “ que minha pátria morra por mim”; a Irlanda (mas poderia muito bem ser o Brasil): “raça de roceiros”, “raça de debochados”, "espelho rachado de uma criada”, "porca velha que devora a sua ninhada” ... “os padres exploram vocês, seus dirigentes são todos vendidos..." "sua própria família não escapa do massacre, como, por exemplo, o pai: estudante de medicina, campeão de remo, tenor, ator diletante, policial exaltado, pequeno proprietário, pequeno capitalista, grande beberrão, bom sujeito, secretário de não sei quem, meteu-se numa destilaria, foi coletor de impostos, faliu e agora vive a louvar o seu passado.”
O amor? "Uma bobagem." Nada de amor nas suas histórias, cujas heroínas, desde a frágil Emma Clery a astuciosa Anna Livia, serão ou bobas, como Gertie Mac Dowell, ou sem vergonhas, como Marion Bloom, ou monstros, como Bella Cohen. Pérfidas, sádicas, venenosas, obcecadas sexuais, e tudo com muito entusiasmo, por que elas terão por função, como observa Richard Ellman, “dividir os machos” e escolher sempre o lado mais vil: a carne contra o espírito, o Gaélico contra o inglês, Cranlu contra Stephen... Quanto aos amigos, se não lhe cobiçam a mulher é por que lhe cobiçam a filha, o dinheiro ou o guarda comida. Todos parasitas, intrigantes, cínicos, enfim: traidores. Assim como na obra de Shakespeare ressoa a nota do banimento, na de Joyce a traição predomina."
“Não podemos mudar o país, então mudemos de assunto.” (deveria ter guardado esta para uma derrota do Lula)
O amor? "Uma bobagem." Nada de amor nas suas histórias, cujas heroínas, desde a frágil Emma Clery a astuciosa Anna Livia, serão ou bobas, como Gertie Mac Dowell, ou sem vergonhas, como Marion Bloom, ou monstros, como Bella Cohen. Pérfidas, sádicas, venenosas, obcecadas sexuais, e tudo com muito entusiasmo, por que elas terão por função, como observa Richard Ellman, “dividir os machos” e escolher sempre o lado mais vil: a carne contra o espírito, o Gaélico contra o inglês, Cranlu contra Stephen... Quanto aos amigos, se não lhe cobiçam a mulher é por que lhe cobiçam a filha, o dinheiro ou o guarda comida. Todos parasitas, intrigantes, cínicos, enfim: traidores. Assim como na obra de Shakespeare ressoa a nota do banimento, na de Joyce a traição predomina."
“Não podemos mudar o país, então mudemos de assunto.” (deveria ter guardado esta para uma derrota do Lula)
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