"O cético mesmo, apaixonado por suas dúvidas, mostra-se fanático pelo ceticismo. O homem é o ser dogmático por excelência; e seus dogmas são tão mais profundos quando não os formula, quando os ignora e os segue."
"Quando se chega ao limite do monólogo, aos confins da solidão, inventa-se — na falta de outro interlocutor — Deus, pretexto supremo de diálogo."
Deus como disse Nietzsche é uma resposta grosseira. É uma maneira estúpida de se abandonar a vida e viver aqui a morte em vida.
Quem tem Deus não precisa dos outros... Quem aprendeu a ver flores, não precisa mais inventar Deus.
Diga o que você sente, não o que você acha que deveria dizer.
Tento não me esquecer:
Este blog me ajuda a não esquecer que a pior inimiga da verdade é a convicção e que amar não significa apoiar-se.
Nós não resolvemos problemas filosóficos. Nós os superamos. Nosso parto é sobre o túmulo, a luz dura um instante e volta a noite.
Existe alegria. Às vezes é só ouvir, minhas filhas descobrindo o mundo. Mas no fim, o mundo é mais pobre do que eu imaginei.
Nós não resolvemos problemas filosóficos. Nós os superamos. Nosso parto é sobre o túmulo, a luz dura um instante e volta a noite.
Existe alegria. Às vezes é só ouvir, minhas filhas descobrindo o mundo. Mas no fim, o mundo é mais pobre do que eu imaginei.
30/05/2003
16/05/2003
...
alguém me disse, e foi dificil aceitar,
que talvez possa se passar pela vida
e nunca encontrar o grande amor,
mas que há um amor mais simples, universal,
por tudo o que é belo,
pela poesia e pela beleza que emana
de cada outro ser que tem pulsos, vulgo vida,
e que é a forma de ser feliz.
São poucos estes momentos de aparente lucidez, não?
Quando o egoísmo e a vaidade parece que dão uma trégua?
Quando a gente parece querer gritar: por que te amo ó vida.
Sabe, meu amor,
é tão bom conversar com alguém quando estamos confusos.
Sabe, imaginei que pelo menos você pudesse me entender...
Por isto te escrevo...
.
11/05/2003
Pessimista (V)
Oh, angustiante mundo novo, o que já temos aqui... Segregação, individualismo e desumanização.
Então vou viajar pela Europa por causa do trabalho. Pra provar pra minha cabeça que realmente posso ser feliz dentro da casca de nós, que o gosto de lá é igual ao de cá.
Devemos sair em outubro. Vinte dias nas custas dos outros, dez dias nas custas do curso de Java que não farei mais. Sabe dEus quando poderei visitarei o novo mundo de novo..
Então vou viajar pela Europa por causa do trabalho. Pra provar pra minha cabeça que realmente posso ser feliz dentro da casca de nós, que o gosto de lá é igual ao de cá.
Devemos sair em outubro. Vinte dias nas custas dos outros, dez dias nas custas do curso de Java que não farei mais. Sabe dEus quando poderei visitarei o novo mundo de novo..
03/05/2003
Cinema (II)
Há poucos filmes essenciais. Ainda assim, entre estes, raros são tão transbordantes de poesia quanto A dupla vida de Veronique.
Dizer que tem uma história intrigante é chover no molhado, muitos filmes são boas histórias. Isto não explica.
(não é um triller erótico sobre uma mulher com uma vida dupla, como me perguntou um amigo animado a ir na locadora mais próxima, mas sim duas mulheres identicas, vivendo em lugares diferentes uma vida muitissimo parecida)
A forma narrativa é diferente dos filmes comerciais americanos? Almodovar também é.
A mocinha do filme tem uns peitos bonitos? Minha vizinha também.
A trilha sonora é boa? Sim, linda, mas isto tornaria todos os filmes com música do Bernard Hermann obras primas: podia ser o Spilberg a dirigir.
O que de cara chama atenção é que fala-se pouco, ninguém precisa nos narrar o que acontece.
Ele é sutil. Profundo. Mesmo cru, não consegue deixar de inundar-nos de esperança..
Mas não se equivoque. Antes de tentar enquadrá-lo aqui ou ali é preciso sentir, por que Kieslowski é como Nietzsche, só se compreende vivendo, só se compreende quando percebemos: sensibilidade é o seu pathos.
Dizer que tem uma história intrigante é chover no molhado, muitos filmes são boas histórias. Isto não explica.
(não é um triller erótico sobre uma mulher com uma vida dupla, como me perguntou um amigo animado a ir na locadora mais próxima, mas sim duas mulheres identicas, vivendo em lugares diferentes uma vida muitissimo parecida)
A forma narrativa é diferente dos filmes comerciais americanos? Almodovar também é.
A mocinha do filme tem uns peitos bonitos? Minha vizinha também.
A trilha sonora é boa? Sim, linda, mas isto tornaria todos os filmes com música do Bernard Hermann obras primas: podia ser o Spilberg a dirigir.
O que de cara chama atenção é que fala-se pouco, ninguém precisa nos narrar o que acontece.
Ele é sutil. Profundo. Mesmo cru, não consegue deixar de inundar-nos de esperança..
Mas não se equivoque. Antes de tentar enquadrá-lo aqui ou ali é preciso sentir, por que Kieslowski é como Nietzsche, só se compreende vivendo, só se compreende quando percebemos: sensibilidade é o seu pathos.
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