Jornalista brasileiro ganha grana pra visitar israel ... e volta ...
Comentei no video...
Gosto das suas analises e aprendo demais com elas. Mas suas ideias, X, sobre Israel e o sionismo, sua visão me parece extremamente parcial – esperava mais. Isso não me impede de continuar aqui, aprender e apreciar o conteúdo do canal, mas quando você se aventura como historiador e toma lado, sua análise perde o que você costuma ter de melhor, sua tolerancia e perspectiva e se torna um jornalismo enviesado, não tão distante do Y. Ambos defendem ideologias e já sabem a resposta antes de elaborar a pergunta: não fazem, neste caso em particular, jornalismo e muito menos história ou mostram a abertura da filosofia. Quanto à questão de ‘receber’ pela viagem, é difícil não bater a mão na testa. Não ver problema nisso é um problema... Não estou confuso, apenas consternado e decepcionado. É mais do que divergir. Me preocupa você sair do "meio".
A questão vai além: conciliar apoio a projeto nacionalista baseado em identidade étnico-religiosa com valores progressistas... Deveriam ser universalistas? A contradição não é sutil. O liberalismo progressista parte do princípio de que os direitos são inalienáveis e independem de etnia, religião ou origem, e o sionismo se sustenta na exclusividade de uma identidade, transformando um Estado em um projeto de segregação legitimado pela força. E não adianta suavizar esse fato – na prática, é o que acontece.
Não me convence a ideia de fundar um Estado nacional sobre uma terra já habitada por outro povo, gerando um conflito que não pode ser resolvido sem violar a autodeterminação – que você não cansa de citar – de um deles. O sionismo nunca foi apenas sobre a criação de um lar seguro para judeus, não seria suficiente, foi sobre a exclusão dos que já estavam lá. Isso não é um 'choque de narrativas' – é um processo histórico documentado. E desde a Nakba, só piorou… ou não?
Se o sionismo foi secular na origem foi só na religiosidade que encontrou argumentos para legitimar sua expansão. E eles tem tudo a ver: nacionalismo e sionismo dão pertencimento, realizam sacralização e focam na alteridade. Essa ideia modernosa de que a religiosidade é algo positivo – menos na academia, mas sempre ressurgindo no jornalismo ou na classe artistica progressista – só gera mais confusão. Religião e nacionalismo se regogizam no/do dogmatismo (não é diferente em qualquer dogmatismo). É só dar tempo e meios. O sionismo tão espetacular no seu inicio (eram só ideias, o comunismo também?), não se tornou movimento espontâneo de retorno às origens. Ele é hoje construção política que usa a religião como ferramenta para legitimar colonização e ocupação. E isso não te parece equivocado? Construção da memória histórica.. "Terra Prometida" já era um conceito religioso... Identidade judaica nunca foi apenas étnica ou cultural. Resumindo o sionismo nunca foi puramente secular, não vingaria.. Sua base narrativa carregava apelo religioso inevitável. Sião.. X: fala da realidade.. Esta idéia de Jirico de alguém se achar povo escolhido... pelo amor.. Um pedacinho da humanindade em um planetinha qualquer em um lugar qualquer de uma galaxia que não tem em si nada de especial ... escolhido por deus... o que são 3000 anos ? toda a realidade? dos quais 1830 anos eles passaram fora.. Mas você tambem ve isto... Não podemos aceitar esta estupidez... Quando eles querem se impor! Quando se julgam superiores.. Moralmente... De que forma a realidade prova isto? Ou na verdade refuta?
A estrutura se mantém, estado privilegia judeus e normaliza regime de ocupação militar, com oposição tratada como antissemita. Como toda ideologia religiosa, não soluciona nada – e cria ciclo de conflito insolúvel. Não existe mágica, X… Falar de sionismo é falar da religiosidade e da justificação. Busca por identidade e segurança? Balela! É projeto político sustentado por dogma (dogmas siameses, nacionalismo e religiosidade) – e dogmas não negociam, não cedem, não aceitam dúvidas. Acredita que vai mudar? Essa certeza absoluta é que explica as formas de terrorismo, seja de Estado, seja o de grupos radicais, extremistas (Hamas é um entre tantos).
Lógica de apartheid!, onde a cidadania plena está ligada à identidade judaica. Não acha que isso explica as revoltas? Nós faríamos diferente? "Eu sou eu e minhas circunstâncias." Cidadãos árabes-israelenses vivem sob leis discriminatórias, e os palestinos nos territórios ocupados estão presos em um regime militar, sem direitos civis básicos. Como alguém que se diz progressista pode ignorar esse modelo de segregação e ainda reivindicar coerência moral? Democracia compatível com exclusivismos identitários? Onde? 65.000 pessoas morreram! 70% mulheres e crianças! Como consequencia direta da guerra doenças e desnutrição o numero vai passar de 170.000! Sim, os judeus sofrem!... Sim os palestinos sofrem!
Nacionalismo etnorreligioso do século XIX não é um direito ancestral incontestável. Nisto devemos concordar. Herzl cogitou Uganda como alternativa, o que já revela a arbitrariedade da narrativa. Israel? A religiosidade conveniente de uns, apenas mais uma tentativa de fabricar uma justificativa? Sempre é. Podemos entrar na discussão sobre os indígenas nos EUA ou no Brasil – se tivessem apoio militar, poderiam retomar tudo? Quando exatamente se faz esse corte histórico?
Esse não é um conflito apenas ‘complexo’ – é insolúvel. O sionismo não começou com tudo, foi uma nova lufada em um lugar que nunca foi deixado em paz... Não tem final feliz.. Agora é só assistir a sucessão de desgraças...
Quem tem dEus não precisa dos outros... Quem aprendeu a ver flores, não precisa mais inventar dEus.
Tento não me esquecer:
Este blog me ajuda a não esquecer que a pior inimiga da verdade é a convicção e que amar não significa apoiar-se.
Nós não resolvemos problemas filosóficos. Nós os superamos. Nosso parto é sobre o túmulo, a luz dura um instante e volta a noite.
Existe alegria. Às vezes é só ouvir, minhas filhas descobrindo o mundo. Mas no fim, o mundo é mais pobre do que eu imaginei.
Nós não resolvemos problemas filosóficos. Nós os superamos. Nosso parto é sobre o túmulo, a luz dura um instante e volta a noite.
Existe alegria. Às vezes é só ouvir, minhas filhas descobrindo o mundo. Mas no fim, o mundo é mais pobre do que eu imaginei.

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