Quem tem dEus não precisa dos outros... Quem aprendeu a ver flores, não precisa mais inventar dEus.
Tento não me esquecer:
Este blog me ajuda a não esquecer que a pior inimiga da verdade é a convicção e que amar não significa apoiar-se.
Nós não resolvemos problemas filosóficos. Nós os superamos. Nosso parto é sobre o túmulo, a luz dura um instante e volta a noite.
Existe alegria. Às vezes é só ouvir, minhas filhas descobrindo o mundo. Mas no fim, o mundo é mais pobre do que eu imaginei.
Nós não resolvemos problemas filosóficos. Nós os superamos. Nosso parto é sobre o túmulo, a luz dura um instante e volta a noite.
Existe alegria. Às vezes é só ouvir, minhas filhas descobrindo o mundo. Mas no fim, o mundo é mais pobre do que eu imaginei.
15/09/2014
Depois de Tchekhov e Antonioni
Eu conheci um homem que, cego de nascença, na minha idade passou a enxergar. Entusiasmado, não conseguia conter o choro ante a perspectiva de enfim ver as filhas. Mas o mundo era muito mais amplo e não só elas ele percebia. A cada nova experiência a riqueza da vida humana plena, que êxtase! Quantas coisas para aprender, este universo inexplorado. Viajou, conheceu, vivenciou...Viu paisagens, pessoas, seus gestos e rostos... Não demorou e as coisas começaram a mudar. O mundo era muito mais pobre que o imaginado. Ninguém tinha lhe dito que havia tanta sujidade, tanta fealdade, e ele via coisas abjetas por todo o lado. Quando era cego atravessava a rua sozinho, agarrado a uma bengala, mas agora, depois de recuperar a visão, tinha medo de se aventurar. A ternura e a beleza das filhas eram motivo de desconforto amargurado: passei a minha condição para alguém... Atônito, emudeceu.
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